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06/03/2010

CLARABÓIA

Sinceramente esperei pela chuva hoje, pela garoa ao menos
Mas ela teimou em não vir
Teimosia tem limites.
Seria o fim se fosse dormir sem vê-las, gotas
Na esperança, abrem-se as vidraças e ao olho nú, tingi-se o céu de um fundo breu
Carregado de olhos vidrados nos nobres eunucos possuidores da mais intensa carga de tesão
Não poderei deitar-me, sem apetecer reagir ao tempo bom.
O recurso é a lúdica tempestade abaixo da claraboia, e o edredon que me acolhe.

08/05/2009

batom


Tua força me remete ao singelo detalhe, feito conta-gotas a despejar-se em minha língua.
Disposto a mais intensa descrição, toca-me com sutil irmandade e querendo fazer parte de mim como a mizinha de um violão.
Lembra daquele dia em que teimoso, insistia em ficar pra sempre em meu pescoço?
E por quantas vezes te derrotei ao tirar-lhe da boca alheia?
Perdeu batom, mas ganhei-te.

18/09/2008

Antítese

Quero estar deitado, sempre
Colado no calor do teu ventre
E apreciar ludicamente toda a diferença entre o dia e a noite.
Quero ao amanhecer traçar o meu destino, finito que seja, mas quero tê-lo, brincando.
Quero ver a chuva morna cobrir o campo, e nela poder descansar.
Quero o belo da noite,
E depois do limite do dia, pro teu colo poder regressar.

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